EspiritismoBH

Capacitação de Facilitadores e Coordenadores de ESDE

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56ª COMMETRIM

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II Festival de Massas - Clara de Assis

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II Seminário Jovem - Mediunidade e Juventude

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Fraternidade Mundo Luz - Grupo de Apoio em Saúde Emocional

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         A FRATERNIDADE ESPÍRITA MUNDO LUZ, convida a todos que estão em busca de alívio para suas angústias e sofrimentos, a participarem do GRUPO DE APOIO À SAÚDE EMOCIONAL.
         O Grupo será conduzido pela psicóloga Tatiana Brandão, com embasamento na psicologia transpessoal, que é uma ciência que aborda o ser humano em sua dimensão integral: física, emocional, social e espiritual, transcendendo a visão materialista da vida. De modo a alcançarmos a saúde das nossas emoções, buscaremos através deste grupo, desenvolver essa visão transpessoal, na qual, com serenidade, todos são convidados a buscar as causas das doenças e, com base nessas causas, poder transformá-las, conquistando a saúde integral.
         O Grupo acontecerá todos os sábados de 14:00 as 16:00, e terá início no dia 26/10/2019. Esperamos todos vocês!

Curso de Expositor da Doutrina Espírita - GEFA

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IX Encontro de Medicina e Espiritualidade AMEM

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Os 15 princípios básicos do espiritismo

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Encontro Espírita das Águas

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XX COEREME - BH

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37ª Feira do Livro Espírita

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Núcleo de Estudo Bíblico (NEB)

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capa visita 3a edio

cem 2011

Culto no lar

etm 2012

Visita aos lares e hospitais

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capa visita 3a edio                                                                       

     Este trabalho literário foi desenvolvido ao longo de muitos anos, com base na experiência do autor como participante efetivo e coordenador de inúmeros grupos na atividade que atualmente se denomina visita fraterna. Em seus capítulos iniciais, apresenta uma série de conceituações relacionadas à Doutrina Espírita e ao tema central, que fornecem fundamentos básicos para a compreensão do desenvolvimento que se segue.

     A abordagem percorre os inúmeros objetivos da visita aos lares e aos hospitais por equipes organizadas para oferecer a oração, a leitura comentada de mensagens evangélicas e a aplicação de passes. Ao mesmo tempo, evidencia as responsabilidades individuais e coletivas na conduta dos visitantes voluntários, além de propor a estruturação e administração da tarefa na casa espírita, bem como outros assuntos de utilidade.

 

Obra inicialmente publicada em 2001 e que está em sua terceira edição.
Editora EDUCERE:
www.editoraeducere.com.br
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Telefones e WhatsApp: (11) 95084-6767 e (31) 99904-3737

O Cristo em mim

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cem 2011                                                                                                                          

     Coletânea de interpretações de trechos do Novo Testamento, os quais detém grande representatividade nos ensinamentos cristãos. Os versículos foram selecionados pelo autor ao longo dos inúmeros estudos que realizou como expositor e com base em sua vivência por muitos anos como coordenador doutrinário de sua instituição espírita.

     Os textos estão elaborados de modo simples e objetivo, a fim de facilitar o entendimento do leitor em suas reflexões espirituais.

 

 

Obra inicialmente publicada em 2005 e que está em sua segunda edição.
Editora FONTE VIVA
fonteviva.com.br
http://fonteviva.com.br/conduta-espirita/103-cristo-em-mim.html
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Telefone: (31) 3433-0400 / WhatsApp: (31) 98785-0315

Em torno do microfone - reflexões para a tribuna espírita

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etm 2012                                                                                                     

    A tribuna é o ambiente da casa espírita que habitualmente atrai a maior parte de seus frequentadores, os quais se aproximam em busca de esclarecimento e consolo. Por esse motivo, todas as atividades que lhe são intrínsecas requerem zelo e atenção por parte dos que a administram, assim como por aqueles que nela se apresentam.

     Neste livro, o autor explora, em textos breves e objetivos, as várias facetas da organização e condução de palestras públicas doutrinárias nas instituições espíritas. Ao mesmo tempo em que apresenta, sob os enfoques do público, do expositor e da coordenação doutrinária, elenco de sugestões sobre como proceder, honrar e enobrecer a tarefa da tribuna espírita.



Obra publicada em 2012.
Editora EDUCERE:
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É hora do Culto!

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Culto no lar

                                                                                                  

      A família se reúne em torno da mesa preparada: o casal de filhos, Paulo e Roseane, sob a orientação dos pais, Sílvio e Clarice. Eles realizam o Culto Cristão no Lar e por meio de leituras e explicações comungam do mesmo alimento espiritual, colhido do Evangelho e da Doutrina Espírita.

     Esse é o cenário apresentado nesta obra, inteiramente dialogada, elaborada da para ser lida e comentada durante a reunião semanal do culto, quando há a participação dos filhos.

      Ao final de cada capítulo, são apresentadas algumas perguntas como desafio às crianças e jovens. O livro, que pode ser também utilizado em aulas de evangelização infantil, inclui ainda atividades lúdicas, como quebra-cabeças e figuras para colorir.

Obra inicialmente publicada em 2006 e que está em sua terceira edição.
Editora EDUCERE:
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App Espiritismo BH

 

Web Rádio Espiritismo BH na palma da mão!

Aproveite sua praticidade e tenha acesso ao novo app da Web Rádio Espiritismo BH. Na Apple Store (IOS) ou na Google Play (Android) procure "espiritismo bh" para localizar o aplicativo.

           gplay          app hist

É possível obter notícias dos desencarnados?

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Intitulamos este artigo com uma pergunta, aliás, muito comum em nosso meio espírita. Em geral, a dúvida se origina a partir da combinação de dois fatores: a saudade intensa advinda da morte física de um ente querido e a escassez de conhecimento de determinados mecanismos de comunicação entre os dois planos da vida, o material e o espiritual. Não existe, de fato, uma resposta única ao questionamento, desde que há certos fatores a se considerar. E é justamente sobre esses que pretendemos discorrer.

A busca por informações acerca da condição de desencarnados é maior do que se imagina. As pessoas procuram ou escrevem para as instituições espíritas com o objetivo de obter notícias dos que já partiram desta vida, sejam eles pais, filhos, cônjuges, amigos, namorados, etc. Em alguns desses casos, há pressuposto de ser prática rotineira de qualquer centro espírita, quando na verdade é o contrário disso.

A comunicação entre espíritos encarnados e desencarnados é a própria concepção do fenômeno espírita. Ela é possível e está comprovada em episódios descritos em textos bíblicos como, por exemplo, o anúncio do mensageiro celeste Gabriel à Maria de Nazaré, a aparição de Jesus desencarnado à Maria de Magdala e posteriormente à Tomé, os inumeráveis fenômenos no Pentecostes, a presença dos Espíritos Elias e Moisés durante transfiguração do Mestre no Tabor. No Antigo Testamento, a proibição mosaica à evocação dos mortos atesta que eram acontecimentos reais e até mesmo corriqueiros entre os hebreus sob o domínio dos egípcios. Desde os tempos de Kardec e até os nossos dias, reuniões mediúnicas são organizadas nas quais espíritos necessitados e em sofrimento se apresentam e recebem tratamento, assim como espíritos amigos e mentores espirituais transmitem suas ideias e orientações. Isso posto, não se contesta ser possível que pessoas desencarnadas se manifestem no mundo material.

Uma das mais belas e inesquecíveis fases da vida do médium Francisco Cândido Xavier foi aquela em que ele recebia por psicografia mensagens de desencarnados, o que trazia alívio e conforto aos familiares e amigos presentes nas sessões. Hoje em dia   tal prática ainda existe em algumas instituições espíritas, se bem que em poucas delas, uma vez que o mecanismo exige estrutura especializada no campo espiritual, tanto quanto certas características da faculdade mediúnica e conduta moral do médium.

E quanto ao desejo de receber comunicações diretas ou informações dos desencarnados? É possível a qualquer espírito desencarnado? Todo espírito encarnado pode ter acesso a elas? Vamos consultar as anotações de Allan Kardec às respostas dadas pelos Espíritos em O Livro dos Médiuns, no capítulo XXV, questão 282, sobre as evocações dos mortos:

 

Quais as causas que podem impedir atenda um Espírito nosso chamado?

"Em primeiro lugar, a sua própria vontade; depois, o seu estado corporal, se se acha encarnado, as missões de que esteja encarregado, ou ainda o lhe ser, para isso, negada permissão. Há Espíritos que nunca podem comunicar-se: os que, por sua natureza, ainda pertencem a mundos inferiores a Terra.  Tampouco o podem os que se acham nas esferas de punição, a menos que especial permissão lhes seja dada, com um fim de utilidade geral. Para que um Espírito possa comunicar-se, preciso é tenha alcançado o grau de adiantamento do mundo onde o chamam, pois, do contrário, estranho que ele é às ideias desse mundo, nenhum ponto de comparação terá para se exprimir. O mesmo já não se dá com os que estão em missão, ou em expiação, nos mundos inferiores. Esses têm as ideias necessárias para responder ao chamado."

Por que motivo pode a um Espírito ser negada permissão para se comunicar?

"Pode ser uma prova, ou uma punição, para ele, ou para aquele que o chama."

 

Observamos assim que o contato de um desencarnado com o nosso mundo depende de: 1. sua vontade; 2. ter autorização; 3. seu adiantamento moral. Consequentemente, nem sempre o habitante do plano espiritual está em condições psíquicas para se comunicar, tampouco possui consentimento para tal. Por outro lado, quanto ao encarnado que deseja receber mensagens do além, é necessário que tenha permissão do Mais Alto, condição que muitas vezes se relaciona aos seus méritos pessoais.

Por tudo isso, podemos concluir que, de fato, para que se estabeleçam todas as condições favoráveis, há parâmetros que devem ser observados e satisfeitos, os quais são avaliados por Espíritos Superiores encarregados. Um dos quesitos considerados por eles é a utilidade da comunicação para ambas  às partes. Por exemplo, seria benéfico a um filho saber que a mãe ainda passa por processos expiatórios no mundo invisível? Provavelmente, não.

Mensagens de desencarnados ou informações a seu respeito não surgem indiscriminadamente, a partir de nossa vontade. Diz-se que "o telefone somente toca de lá para cá".  Se estivermos angustiados para receber mensagem ou notícias da pessoa amada após sua morte, é possível que nosso tormento mental ou emocional possa perturbá-la, onde estiver. Por conseguinte, como regra geral, o melhor a fazer é a mudança de postura, canalizando energias ao estudo dos princípios cristãos e às atividades caritativas. A Justiça Divina se encarregará do resto, uma vez que, ao se alcançar o momento em que notícias dos nossos queridos desencarnados nos sejam permitidas, de alguma maneira elas chegarão até nós.

Marcelo de Oliveira Orsini

 

Honrar pai e mãe - inglês

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A entrevista de Eliane Batista "Honrar pai e mãe" está agora legendada em inglês para sua apreciação, publicada provisoriamente nos VÍDEOS EXTRAS.

Visão espírita do câncer - espanhol

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A entrevista do médico Henrique Zarnowsky "Visão espírita do câncer" está agora legendada em espanhol para sua apreciação, publicada provisoriamente nos VÍDEOS EXTRAS.

Visão espírita do câncer - francês

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A entrevista do médico Henrique Zarnowsky "Visão espírita do câncer" está agora legendada em francês para sua apreciação, publicada provisoriamente nos VÍDEOS EXTRAS.

Mal de Alzheimer - legendado em espanhol

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A entrevista com Henrique Zarnowski "Mal de Alzheimer" está agora legendada em espanhol para sua apreciação, publicada provisoriamente nos VÍDEOS EXTRAS.

Diálogo com os espíritos - Legendado em alemão

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A entrevista com Waldir Silva "Diálogo com os espíritos" está agora legendada em alemão para sua apreciação, publicada provisoriamente nos VÍDEOS EXTRAS.

Reencarnação - legendado em alemão

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A entrevista com Maria Luiza "Reencarnação" está agora legendada em alemão para sua apreciação, publicada provisoriamente nos VÍDEOS EXTRAS.

Diálogo com os espíritos - legendado em francês

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A entrevista com Waldir Silva "Diálogo com os espíritos" está agora legendada em francês para sua apreciação, publicada provisoriamente nos VÍDEOS EXTRAS.

Diálogo com os espíritos - Legendado espanhol

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A entrevista com Waldir Silva "Diálogo com os espíritos" está agora legendada em espanhol para sua apreciação, publicada provisoriamente nos VÍDEOS EXTRAS.

Mecanismos de Comunicação Mediúnica - Legendado espanhol

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A entrevista do médico Osvaldo Hely "Mecanismos de Comunicação Mediúnica" está agora legendada em espanhol para sua apreciação, publicada provisoriamente nos VÍDEOS EXTRAS.

Visão espírita do câncer - Legendado em inglês

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A entrevista do médico Henrique Zarnowsky "Visão espírita do câncer" está agora legendada em inglês para sua apreciação, publicada provisoriamente nos VÍDEOS EXTRAS.

Mediunidade com Jesus - Legendado em espanhol

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A entrevista com Wagner Gomes "Mediunidade com Jesus" está agora legendada em espanhol para sua apreciação, publicada provisoriamente nos VÍDEOS EXTRAS.

Reencarnação - Legendado em inglês

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A entrevista com Maria Luiza "Reencarnação" está agora legendada em inglês para sua apreciação, publicada provisoriamente nos VÍDEOS EXTRAS.

O Poder da Palavra

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Raras eram as civilizações antigas que faziam uso da escrita como meio de comunicação ou como forma de registrar sua história, pensamentos e sentimentos. Em função disso, valorizavam de forma considerável as palavras. Costumavam atribuir a elas formas e força. Acreditavam que elas tinham vida e que eram dotadas de poderes fantásticos que as auxiliavam no limitado contexto cultural e social em que viviam. Acreditavam que, quando pronunciadas, geravam força e poder, realizando então os seus pedidos. Sabemos que essa crença se fazia presente em diversas ocasiões do cotidiano, como rituais sagrados e de cura, celebrações de casamentos, cerimônias fúnebres e rituais de exorcismos.

A ciência já nos provou hoje que as palavras realmente exercem uma grande influência tanto na mente quanto no organismo do ser humano. O Espiritismo também nos esclarece muito a respeito. A literatura espírita é repleta de ensinamentos.

Em uma psicografia de Divaldo Franco, Dr. Bezerra de Menezes nos diz: “Sabe-se hoje, cientificamente, que a boa palavra proferida com entusiasmo faz que o cérebro e o hipotálamo secretem uma substância denominada endorfina, que atua na medula e bloqueia a dor, tal como ocorre na acupuntura.”

No livro Entre o Céu e a Terra, André Luiz nos conta sobre uma palestra em um educandário de Nosso Lar em que a Irmã Clara em um determinado momento diz: “...a palavra, qualquer que seja, surge dotada de energias elétricas específicas libertando raios de natureza dinâmica. A palavra falada contém imagens e contextos. Se for emitida com amor, conduz a quadros e idéias felizes expulsando pensamentos e sentimentos inferiores e favorecendo a entrada da esperança e felicidade.”

Podemos concluir que a palavra tem uma participação muito grande no desenvolvimento do nosso espírito. Ela deve ser usada de maneira construtiva, incentivando as pessoas ao crescimento e nunca para queixas ou lamentações. Devemos sempre manter os bons pensamentos, pois deles sairão palavras positivas que irão gerar força, fé e confiança. É importante que evitemos comentários infelizes, impressões negativas, a não ser para ressaltar uma situação favorável ou extrair uma lição positiva.

“Falando nós construímos.” Depende de nós o resultado final da nossa construção. Se utilizamos palavras enobrecedoras, teremos nossa construção estável, firme e equilibrada. Se fazemos o uso indevido das palavras, isso se refletirá da mesma forma no nosso espírito, ou seja, seremos instáveis ou até mesmo desequilibrados.

Temos na história da humanidade grandes exemplos de pessoas que fizeram bom uso das palavras trazendo ensinamentos e conhecimentos como: Sócrates, na Grécia antiga, Buda, na Índia, São Francisco de Assis, na Itália da Idade Média, e por fim Jesus, que nada deixou escrito. Suas palavras nos foram trazidas através dos apóstolos e são as nossas diretrizes nos dias atuais.

Que possamos nos empenhar hoje e sempre no bom uso de nossas palavras!

Herbert Faria

70 anos de Paulo e Estêvão - Legendado em inglês

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A entrevista com Haroldo Dutra "Setenta anos de Paulo e Estêvão" está agora legendada em inglês para sua apreciação, publicada provisoriamente nos VÍDEOS EXTRAS.

70 anos de Paulo e Estêvão - Legendado em espanhol

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Eis a nossa primeira experiência de publicação de entrevista com legenda, sendo esta em espanhol. Em breve, ofereceremos mais opções de línguas legendadas e uma área dedicada do site para acesso a estes vídeos. Podemos considerar que hoje, 30 de abril de 2013, inauguramos de forma modesta a universalização do Espiritismo BH.

Dia Nacional do Espiritismo

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No Brasil, a data 18 de abril representa mais uma conquista da Doutrina dos Espíritos. Nesse dia, é comemorado oficialmente o Dia Nacional do Espiritismo, cujo significado rememora o trabalho incessante de Espíritos encarnados e desencarnados na disseminação dos princípios morais libertadores, ensinados pelo Cristo.

Um dos fatores que auxiliaram no desenvolvimento da ideia de se criar essa data comemorativa foi o de que o Brasil é a maior nação espírita da atualidade. Ressalta-se que a justificativa para essa criação não se restringiu somente à quantidade de adeptos, mas, sobretudo, pelos resultados proporcionados por essa doutrina ao campo assistencial. Como expoente nesse ramo, foi destacado o médium Francisco Cândido Xavier, cujas obras sociais são reconhecidas em âmbito nacional e internacional. Outro ponto favorável para estabelecimento dessa comemoração foi o fato de o Espiritismo defender o respeito pelas demais religiões e preconizar indiscriminadamente a fraternidade entre os indivíduos, além de conduzi-los no sentido do crescimento comportamental, moral e espiritual.

O dia 18 de abril foi escolhido como forma de se fazer alusão à data de lançamento de “O Livro dos Espíritos” (1857), de Allan Kardec, cujo conteúdo encerra os princípios fundamentais do Espiritismo. Adicionalmente, esse livro serviu de base para o desdobramento de mais quatro obras: O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868). Juntas, essas cinco obras constituem a denominada Codificação do Espiritismo.
Para saber mais sobre o parecer do Senado Nacional acerca do Dia Nacional do Espiritismo, acesse o seguinte endereço eletrônico: http://legis.senado.gov.br/mateweb/arquivos/mate-pdf/56557.pdf

Catálogo Racional - Obras Para se Fundar Uma Biblioteca Espírita

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Antes de morrer, Kardec teve a preocupação de inventariar um conjunto de obras literárias que continham desde livros que expressavam concordância com a doutrina espírita até aqueles que eram contrários a ela. Em 1869 é lançado o “Catálogo Racional – Obras para se Fundar uma Biblioteca Espírita”, último trabalho escrito pelo codificador do Espiritismo e que é dividido em três partes. Na primeira, denominada Obras Fundamentais da Doutrina Espírita, estão listados todos os livros escritos pelo próprio Allan Kardec; a segunda, Obras Diversas sobre Espiritismo, compreende as obras que são complementares, podendo ser encontrados livros de poesia e de música e até desenhos; a terceira, Obras realizadas fora do Espiritismo, estão os livros que precederam ou não O Livro dos Espíritos. Nessa última parte, a lista é subdividida em categorias, como: filosofia e história, romances, teatro, ciências e magnetismo. Adicionalmente, o último item da terceira parte é reservado para as Obras contra o Espiritismo, que o próprio Kardec justifica, dizendo:
“Proibir um livro é sinal de que se o teme. O Espiritismo, longe de temer a divulgação dos escritos publicados contra si e proibir-lhes a leitura a seus adeptos, chama a atenção destes e do público para tais obras, a fim de que possam julgar por comparação.” (Allan Kardec, Catálogo Racional).

Mais informações sobre esse catálogo podem ser encontradas no site da Federação Espírita Brasileira (FEB):
http://www.febnet.org.br/ba/file/Pesquisa/Textos/UMA%20HIST%C3%93RIA%20DO%20LIVRO%20E%20DE%20TODOS%20OS%20LIVROS.pdf

Écho d’Alêm-Tumulo

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“O Écho d’Alêm-Tumulo” foi o primeiro periódico brasileiro a veicular o conteúdo da doutrina espírita no país. Sua primeira edição foi lançada em julho de 1869, na cidade de Salvador (BA), com direção de Luiz Olympio Telles de Menezes. O jornal tinha como objetivo principal estudar os fenômenos mediúnicos, registrando todos aqueles ocorridos nas reuniões espíritas daquela época. Além disso, “O Écho d’Alêm-Tumulo” publicava os artigos traduzidos de La Revue Spirite (Revista Espírita), de Allan Kardec, proporcionando aos espíritas brasileiros atualizações acerca da doutrina dos Espíritos em nível mundial. A própria La Revue Spirite divulgou, em sua edição de outubro de 1869, a existência do periódico brasileiro. Parte da renda adquirida pela venda desse jornal era direcionada à causa abolicionista, libertando escravos, de qualquer cor, do sexo feminino, de 04 a 07 anos de idade, nascidos no Brasil. Embora o conteúdo dessa divulgação fosse essencialmente espírita, o jornal era considerado católico, devido à religião do Sr Menezes. Por isso, começaram a surgir divergências, embates e empecilhos, fazendo com que “O Écho d’Alêm-Tumulo” durasse apenas até o ano de 1871.

Para os interessados em pesquisar os originais desse periódico, a Hemeroteca Digital Brasileira disponibiliza seu acesso digital por meio dos seguintes endereços eletrônicos:

http://hemerotecadigital.bn.br/o-echo-dalem-tumulo-monitor-do-spiritismo-no-brazil/706728
http://memoria.bn.br/DOCREADER/DOCREADER.ASPX?BIB=706728

A Inquisição a Favor do Espiritismo

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À primeira vista, o título nos remete à ideia de contradição, de conceitos intrinsecamente opostos. No entanto, os Espíritos vêm nos dizer que sim, a Inquisição favoreceu, de certo modo, a divulgação do Espiritismo. Para compreendermos esse ensinamento, precisamos nos reportar aos fatos históricos da época. Em 1861, o Espiritismo já estava em plena ascensão na França, sendo demandado a se expandir a outros países. No mesmo período, em Barcelona, Espanha, o Sr. Maurício Lachâtre, simpatizante da nova doutrina, solicitou a Kardec uma quantidade de livros a fim de propagar o ensino dos Espíritos naquela cidade. Ao receber a solicitação, Kardec prontamente enviou ao Sr. Lachâtre cerca de trezentos livros, contendo as seguintes obras: A Revista Espírita; O Livro dos Espíritos; O Livro dos Médiuns; O que é o Espiritismo, todos de Allan Kardec; A Revista Espiritualista, diretor Piérart; Fragmento de Sonata, ditado por Mozart (Espírito); Carta de um Católico sobre o Espiritismo, Dr. Grand; A História de Joana D’Arc, ditada pelo próprio Espírito à médium Ermance Dufaux e A Realidade dos Espíritos demonstrada pela escrita direta, Barão de Guldenstubbé. No entanto, antes de chegarem ao destino, os livros foram interceptados pelo Santo Ofício, sendo todos queimados, em um auto de fé, no local onde eram executados os criminosos condenados. Kardec tentou reaver os livros antes da destruição final; no entanto, os Espíritos o convenceram do contrário, dizendo que assim era o melhor. Após esse ato repugnante, o número de novos adeptos ao Espiritismo cresceu na Espanha, contrariando todas as expectativas.

Pode-se entender essa “pseudocontradição” pelas próprias palavras de Kardec, quando nos diz:

[...] pode fazer-se que desapareça um homem; mas não se pode fazer que desapareçam as coletividades; podem queimar-se os livros, mas não se podem queimar os Espíritos. Ora, queimassem-se todos os livros e a fonte da doutrina não deixaria de conservar-se inexaurível, pela razão mesma de não estar na Terra, de surgir em todos os lugares e de poderem todos dessedentar-se nela.”(Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo – Introdução, Item II).”

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Transcreva as entrevistas do EBH para texto!

Continuamos precisando de sua ajuda!

O convite para a tradução das nossas entrevistas para línguas estrangeiras foi correspondido de maneira espetacular! Várias pessoas já se ofereceram e estão trabalhando para nos auxiliar na criação de textos para legendar os vídeos em inglês, alemão, espanhol, francês e italiano. Quanto a isso, continuamos à procura de mais e mais tradutores!

Entretanto, esses cooperadores nos mostraram que o melhor caminho é trabalhar inicialmente com os textos transcritos para o português. Além de facilitar a tradução posterior, permite que o material possa ser repassado para o tradutor que vai trabalhar com outra língua.

Por essa razão, estamos convidando voluntários para transcrever as entrevistas do Espiritismo BH para textos em português.

Se você deseja cooperar voluntariamente conosco nesse sentido, escreva para o FALE CONOSCO e informe o seu e-mail e telefones de contato. Nosso acervo supera 180 entrevistas e temos certeza que, com muitas mãos unidas nesta empreitada, em breve estaremos com tudo pronto.

Saudações!

Congresso Espírita Mundial

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Em outubro de 1989, foi então realizado, em Brasília, o Congresso Internacional de Espiritismo, cujos resultados culminaram na criação do Conselho Espírita Internacional (CEI) em 1992. Naquele ano, o Conselho dispôs da participação de nove países, sendo atualmente trinta e cinco o número de associações representativas dos movimentos espíritas nacionais espalhados no mundo. Após o sucesso da primeira edição, o CEI estabeleceu os principais objetivos que norteariam os futuros Congressos Espíritas Mundiais, que são:

Promover a união solidária e fraterna das instituições espíritas de todos os países e a unificação do movimento espírita em âmbito mundial;

Promover o estudo e a difusão da Doutrina Espírita em seus três aspectos básicos: científico, filosófico e religioso;

Promover a prática da caridade espiritual, moral e material, à luz da Doutrina Espírita.

O Congresso ocorre a cada três anos, sendo a edição mais recente realizada em Havana, Cuba, nos dias 22 a 24 de março de 2013, com o tema “A Educação e a Caridade na Construção de um Mundo de Paz”.

Mais informações podem ser obtidas nos seguintes endereços eletrônicos:

- Conselho Espírita Internacional - http://intercei.com/congresso-espirita/
- 7º Congresso Espírita Mundial - http://congressoespirita.com.br/

Por que Allan Kardec?

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Muitos de nós, diante de uma situação difícil, alguma vez já se questionaram: "Por que eu?". Kardec, ou melhor, Sr. Rivail provavelmente também fez essa pergunta quando confrontado com os cinquenta cadernos de comunicações diversas reunidos pelos Srs. Carlotti, René Taillandier, Tiedeman-Manthèse, Sardou (pai e filho), e Didier. Tratava-se das comunicações realizadas, ao longo de cinco anos, por meio da ainda incipiente interação com os Espíritos. Embora já tendo frequentado assiduamente diversas sessões na casa do Sr. Baudin, o Sr. Rivail ainda não dispensava entusiasmos sobre esse novo tipo de manifestações e, priorizando outras preocupações de foro íntimo, pensou em abandonar esse novo campo inexplorado, não fosse a insistência daqueles senhores. Mas, por que Allan Kardec? De acordo com o estudo de Henri Sausse, seu biógrafo, podemos levantar algumas características dessa personalidade tão importante para o Espiritismo. O Sr. Rivail era bacharel em letras e em ciências, sendo fluente nas línguas alemã, inglesa, italiana e espanhola, além de também poder se comunicar na língua holandesa; era doutor em medicina e pedagogo que se baseava nos ensinos de Pestalozzi, sendo discípulo dileto deste. Publicou livros que incluíam gramáticas da língua francesa, cursos de aritmética, estudos pedagógicos, traduções de obras inglesas e alemãs. Foi professor de fisiologia, astronomia, química e física. Enfim, diante desse currículo, caberia a pergunta: Por que não Allan Kardec? Somente um homem com esses adjetivos poderia transformar a comunicação com os Espíritos de meros encontros frívolos a sessões de elevado cunho experimental, que proporcionariam, mais tarde, ao globo terrestre, a transformação moral de que a Humanidade carecia.

Finalmente, cabe outra vez a pergunta: "Por que Allan Kardec e não Hippolyte Léon Denizard Rivail?" Em uma comunicação de teor pessoal, seu Espírito protetor Z., confessou tê-lo conhecido nos tempos dos Druidas, na região das Gálias. Naquela época, eles eram amigos e o Sr. Rivail se chamava Allan Kardec.

Mais informações acerca da biografia de Allan Kardec podem ser encontradas no livro O que é o Espiritismo, de autoria do mesmo.

Óculos Para Ver a Aura?

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O perispírito é um dos conceitos-chaves do Espiritismo que nos permite ampliar nosso entendimento acerca do corpo espiritual. Ele é de tamanha importância que o próprio Kardec nos diz que “O perispírito [...] é o princípio de todas as manifestações” (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, Item 109). Uma de suas características é de que ele “[...] não se acha encerrado nos limites do corpo [...]” e que “[...] é expansível, irradia para o exterior e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera [...]”. (Allan Kardec, Obras Póstumas, cap. Manifestações dos Espíritos, Item 11). André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, designa essa atmosfera como aura, que ele descreve como sendo a “[...] antecâmara do espírito em todas as nossas atividades de intercâmbio com a vida que nos rodeia [...]”. Do ponto de vista científico, o pioneiro no estudo da aura foi o Dr. Walter J. Kilner, médico inglês que defendia a existência de um campo de energia em torno do corpo humano, que se alterava segundo o humor e o estado de saúde da pessoa. Como acreditava que a aura possuía radiações no nível ultravioleta, ele inventou um dispositivo na forma de óculos onde adicionava uma solução alcóolica de dicianina (corante extraído do alcatrão), o que permitia ao olho humano enxergar esta faixa de radiação. Seu trabalho detalhado foi publicado em 1911, mas as críticas acerbas da sociedade médica da época fizeram com que seu estudo fosse esquecido no meio acadêmico, mas não entre os espíritas ingleses. Após muito tempo de indiferença, pesquisadores soviéticos resgataram os resultados do Dr. Kilner após a descoberta do Efeito Kirlian. Este é um dos muitos exemplos em que se nota que "O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente". (A Gênese, Cap. I, item 16)

A Importância do Pacto Áureo no Espiritismo Brasileiro

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Desde meados do século XIX até os dias de hoje, o Espiritismo no Brasil vem se expandindo continuamente, devido à ampla divulgação da Doutrina através dos diversos meios de comunicação (livros, jornais, rádio, televisão, cinema, internet e outros). O período que compreende as décadas de 30 e 50 se destaca por apresentar um grande aumento no número de Centros envolvidos pelas ideias espíritas. Por causa desse crescimento, intensificaram-se os esforços para colocar em prática um sonho que teve origem no século XIX, com o Dr. Bezerra de Menezes: unificar o Movimento Espírita em âmbito nacional. Em 5 de outubro de 1949, foi assinado um acordo que ficou conhecido como Pacto Áureo, designação essa dada por um de seus signatários (Artur Lins de Vasconcelos Lopes). Dentre as disposições do Pacto Áureo estava a criação do Conselho Federativo Nacional (CFN) da Federação Espírita Brasileira, cujo objetivo era orientar o Movimento Espírita, recomendando normas e diretrizes para as diversas Fraternidades Espíritas Brasileiras. Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec ressalta a importância da comunicação entre os grupos espíritas:

“A dificuldade, ainda grande, de reunir crescido número de elementos homogêneos deste ponto de vista, nos leva a dizer que, no interesse dos estudos e por bem da causa mesma, as reuniões espíritas devem tender antes à multiplicação de pequenos grupos, do que à constituição de grandes aglomerações. Esses grupos, correspondendo-se entre si, visitando-se, permutando observações, podem, desde já, formar o núcleo da grande família espírita, que um dia consorciará todas as opiniões e unirá os homens por um único sentimento: o da fraternidade, trazendo o cunho da caridade cristã.” (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, Item 334)

Para saber mais, acesse o link da página da Federação Espírita Brasileira (FEB) http://www.febnet.org.br/blog/geral/conheca-a-feb/o-pacto-aureo/

Evangelização de Portadores de Transtorno Mental e/ou Dependência Química em Ambiente Hospitalar

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Quando permitimo-nos ver o homem como um ser integral, a atuação a seu favor se faz em uma vertente bio-psic-sócio-espiritual a fim de auxiliá-lo em sua melhoria íntima, respeitando o tempo de cada um no aprendizado da vida.

André Luiz, através da psicografia de Chico Xavier nos faz uma assertiva de que “o trabalho de recuperação do corpo, fundamenta-se na reabilitação do Espírito”. Desta feita, a ação de evangelizar chega como uma ferramenta bendita em auxílio à reabilitação do Espírito, quando este ouve as lições de Jesus, acolhe-as na mente e coração e permite que as mesmas possam produzir frutos de renovação íntima, numa crescente evolutiva no Bem.

Refletindo sobre a pedagogia do Cristo percebemos que por conhecer a quem a mensagem seria levada, Ele adequava sua linguagem ao ouvinte e à circunstância; não apenas transmitia a palavra, mas dosava o ensinamento de acordo com a condição individual de cada um e, acima de tudo, ensinava pelo exemplo e com amor. Precisamos, então, como aprendizes que somos, buscar seguir-lhe os passos, aprender e apreender para transmitir Suas lições – este roteiro de vida que nos foi legado.

Quando acolhemos o “ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15) é preciso munir-se de fé, confiança em Deus e arregimentar valores morais e espirituais para que esta empreitada de amor seja feita com caridade, no trabalho e serviço em nome de Deus, sabendo que estaremos como semeadores a semear a semente divina. Esta semente de luz cairá no terreno íntimo do coração do outro, mas irá com parcela de nosso magnetismo (o que estamos oferecendo?); a germinação, no entanto, dependerá da individualidade de cada qual para que o crescimento, floração, frutificação se faça ao tempo de cada um.

É servir e passar, sem urgência na resposta. Este e um aprendizado para a vida (de quem ouve a palavra e para quem a transmite). Em nossa condição humana atual, não conseguiremos alcançar a profundidade da transformação ocorrida a nível espiritual na alma destes irmãos, que momentaneamente estagiam na dor do sofrimento mental ou das dependências, seja de substâncias ou de outras. Cremos, no entanto, que as lições do evangelho são capazes de promover a higienização psíquica em o campo mental das criaturas, sendo esta, talvez, a primeira resposta e possibilidade do ser. Higienizado e limpo, surge um plano psíquico favorável à promoção do autoencontro e deste, a abertura para a provocação de mudanças íntimas, compreensão de que todos somos instrumentos ativas na construção da própria vida e responsáveis pelos próprios atos e escolhas. Favorece o entendimento e compreensão das dores e aflições íntimas vividas por cada qual.

Evangelizar em um ambiente psiquiátrico (ou em qualquer outro lugar), portanto, à luz dos ensinos dos Espíritos Superiores, é vê-los como Espírito imortal na estrada da vida, muito próximo a nós. Nesta hora, ao ver o outro, caído naquela rota, “quase morto”, é preciso mover-se de íntima compaixão e auxiliar, sem julgamentos, nem exposições da dor alheia, mas sim manifestando o afeto que fale ao espírito. Se o toque na alma acontecer, a busca por entendimento e conceitos chegará num momento posterior facultando um reencontro com a espiritualidade, provocando o movimento necessário de mudança, nesta ou noutra vida.

Sabemos que o enfermo traz em si marcas de seus delitos, mas é preciso lembrar que qualquer alma, por mais infratora que tenha sido, contêm em si ações enobrecedoras e a essência divina que precisam ser percebidas e valorizadas.  E, ao evangelizador cabe um papel importante em ressaltar estes pontos.

Ao refletir sobre a prática da evangelhoterapia, é imperioso pensar no ato de cuidar, que faz parte das ações daquele que se coloca como evangelizador e facilitador no processo. É preciso respeitar as crenças religiosas alheias, atendo-se às questões morais contidas nas lições imorredouras do Cristo, posto que elas são universais. Neste cuidar, é urgente levar consolo e esperança, pois muitos destes perderam a vontade de viver.

Nesta tarefa é necessário, também, cuidar dos recursos didáticos, lembrando que naquele ambiente estarão criaturas com variações em seus quadros patológicos. Pode-se usar material lúdico, tendo o cuidado de não infantilizar; músicas que elevam; imagens e palavras que toquem a alma e promovam elevação vibratória. Não se descuidar da busca pelo conhecimento evangélico/doutrinário. Não olvidar uma aplicação prática para os ensinamentos, contextualizando a lição trabalhada, favorecendo a compreensão do tema estudado. Ter o cuidado de não levar, não usar materiais cortantes, cordas, etc. capazes de ferir ou machucar, lembrando-se do ambiente hospital em que estão.

O preparo íntimo do evangelizador é imprescindível, desta feita, quando dirigir-se para aquele encontro é importante munir-se de recursos que envolvam, sensibilizem, despertem e tornem agradável o momento da evangelização, posto que aquele instante é uma verdadeira comunhão espiritual. Construa uma atmosfera de confiança, recheada de palavras de bom ânimo, conforto, neste trabalho em equipe, respeitando uns aos outros e sempre buscando o amparo da Espiritualidade Benfeitora, que ali se encontra em nome de Deus. 

É preciso conhecer, não só sobre o que diz o evangelho descrito pelos evangelistas, o conteúdo doutrinário mas, também, o saber acerca das patologias que acomete os irmãos internos, a fim de, no mínimo, não comprometer o trabalho dos profissionais da área de saúde que naquele ambiente tudo fazem para auxiliar, através do uso de fármacos, psicoterapias, terapias ocupacionais, procedimentos outros e demais abordagens necessárias à recuperação do enfermo.

Importa saber que no contato com os irmãos em sofrimento mental, numa fase de crise, em momentos agudos da doença, é possível ouvir frases e expressões carregadas de dor e sofrimento, muitas vezes manifestas através de vibrações de raiva, choro, rancor, revolta, além de palavras que podem ferir a quem ouve, deixando vir à tona marcas de suas histórias reencarnatórios... É imperioso entender que aquela criatura ferida é teu irmão em humanidade. Nesta hora, então, é momento da manifestação real da vivência do evangelho, ou seja: amai-vos uns aos outros como eu vos amei (Jo 15:12).

Algumas pessoas não compreendem a tarefa de evangelização em ambiente psiquiátrico e como é sua ação. Entendemos que a atuação se faz numa vertente espiritual, que abrange o ser além do corpo físico. É uma proposta terapêutica para a alma! Este olhar faculta o entendimento das possibilidades de recepção dos ensinamentos evangélico-doutrinários. Por analogia, é como se no Espírito existissem “receptores sensoriais” capazes de se ligar às lições de esperança, misericórdia e amor de Deus, convertendo-as em sinais ou energias capazes de ser entendidas e assimiladas pela alma enferma.  Assim toda gota de amor que verte sobre aqueles corações, são possibilidades reais de melhoria no terreno intimo.

Quando a dúvida surgir em seu coração, e fizer com que penses em desistir da tarefa junto a estes irmãos, lembrem-se de uma belíssima lição, que fala do amor incondicional de um pai distanciado do seu filho, em planos espirituais distintos... Aquele pai amoroso passa a visitar, diariamente, aquele ente querido em planos abismais, levando-lhe o conforto de uma oração e frases esclarecedoras... Sem urgência, sem cobrança de uma cura imediata, apenas doando sua atenção, carinho, amor... Irmão X, conclui: “A renovação conseguida por noventa e dois anos de devotamento talvez custasse, sem eles, noventa e dois séculos. O amor para auxiliar, aprende a repetir”.
Muita paz!

Lucrecia Valle
03/2013

Primeiro livro de Allan Kardec traduzido para o Brasil

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Diferentemente do que muitos possam pensar, O Livro dos Espíritos não foi a primeira obra escrita por Allan Kardec a ser traduzido integralmente para a língua portuguesa. Em 1862,  foi lançado o opúsculo O Espiritismo na sua mais simples expressão – Exposto summario do ensino dos espiritos e das suas manifestações. Esse livreto, traduzido por Alexandre Canu com a permissão do Sr. Kardec, continha aproximadamente 35 páginas, sendo dividido em três partes: 1ª) Histórico do Espiritismo; 2ª) Resumo do ensino dos espíritos e 3ª) Máximas extraídas do ensino dos espíritos. Seu principal objetivo foi a disseminação da nova doutrina aos diversos cantos do mundo, inclusive o Brasil. O sucesso dessa tradução para o português foi tamanho que o próprio autor fez o seguinte comentário na edição de julho de 1864 da Revista Espírita:

“Constatamos com satisfação que a ideia espírita faz sensíveis progressos no Rio de Janeiro, onde conta expressivo número de representantes, fervorosos e devotados. A pequena brochura ‘O Espiritismo na sua expressão mais simples’, publicada em português, muito contribuiu para ali espalhar os verdadeiros princípios da doutrina.” (Revista Espírita, 1864 – FEB)

Atualmente, o livreto O Espiritismo na sua mais simples expressão pode ser encontrado no site da Bibliothèque Nationale de France (Biblioteca Nacional da França), disponibilizado gratuitamente em um arquivo digitalizado da sua versão original. Seu acesso encontra-se no endereço eletrônico:

http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k8504604.r=espiritismo.langPT. Versões mais recentes podem ser encontradas nas editoras FEB e EDICEI.

Vivenciando a Caridade

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Muitas vezes nos perdemos no conceito e na prática da verdadeira caridade segundo Jesus nos ensinou em sua passagem pela terra. Acreditamos, em muitas ocasiões, que estamos sendo caridosos ao comprar uma rifa com fins beneficentes ou quando damos uma moeda ao mendigo que anda pelas ruas. Mas, seriam essas atitudes suficientes para deixar-nos seguros e confiantes de termos auxiliado o nosso próximo? Estaríamos realmente cumprindo nosso dever como cristãos? Quase nunca paramos para refletir sobre essa atitude.

Existe uma grande diferença entre praticar a verdadeira caridade e o ato de doar uma esmola. Quando damos uma esmola estamos repassando o que temos em excesso e não nos fará falta. Doamos muitas vezes para ficarmos livre do pedinte que nos incomoda e raramente pensamos no outro que se sente feliz com a oferta, mas ao mesmo tempo certamente se sente humilhado com a situação.

Quando praticamos a caridade há o envolvimento dos sentimentos mais nobres que possuímos. Sentimos brotar em nós o amor, a humildade, a simplicidade e o desejo sincero de ver o nosso próximo amparado. Não exigimos nada em troca e nem temos a intenção oculta e egoísta de nos tornamos conhecidos pela nossa atitude. Colocamos o amor em todos os nossos gestos e palavras em favor daquele que consideramos mais necessitados que nós.

A Doutrina Espírita nos ensina e nos lembra a todo momento que “Fora da caridade não há salvação” e que ela, a caridade, é a mãe de todas as virtudes.

Na pergunta de nº 886 do Livro dos Espíritos Kardec questiona ao espírito de verdade: “O que Jesus entende como sendo caridade?”  E a resposta foi: - “Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas”. A benevolência é a complacência, é boa vontade para com todos. A indulgência é a tolerância, a paciência e a misericórdia que devemos ter com nossos semelhantes. E o perdão é a remissão das penas, o esquecimento das dívidas ou ofensas que cobramos de alguém.

Não devemos confundir a caridade com a filantropia que também é uma forma de ajuda ao próximo, porém na filantropia se doa do excedente em prol do desenvolvimento das artes, música, ciências e outras áreas e raramente oferece a oportunidade das experiências e desenvolvimento dos sentimentos humanos.

A caridade pode se fazer presente em todas as relações em que temos com os nossos semelhantes durante a nossa vida: em casa, no trabalho, com os amigos e com os inimigos. Devemos estar sempre atentos às oportunidades que temos de exercitá-la sendo mais atenciosos e mostrando nosso apreço às pessoas que nos cercam. Devemos sempre nos colocar na posição das pessoas que nos procuram com paciência, resignação, humildade e envolvidos com os verdadeiros sentimentos da prática do bem tentando vivenciar o seu sofrimento e sua dor. Conhecendo melhor o nosso próximo vamos perceber que ele nem sempre precisa da ajuda material. Muitas vezes as pessoas que se encontram perdidas buscam em suas vidas um consolo, um amparo, uma palavra amiga para que possam seguir em paz e harmonia.

Nas nossas atitudes devemos amparar os necessitados toda vez que seja possível lembrando dois grandes ensinamentos de Jesus: “... Tu porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita, para que tua esmola fique em secreto e teu Pai que vê em secreto, te recompensará.”.  Mateus VI-4. “Faça aos outro o que queres que te façam”, máximas que nos faz refletir sobre o nosso orgulho, vaidade e egoísmo.

Nos engamos algumas vezes ao pensar que poderíamos fazer muito mais pelo nosso semelhante se tivéssemos mais dinheiro mas é apenas uma forma egoísta de pensar. Em realidade estaríamos cuidando primeiramente de nós mesmos e os outros estariam sendo deixados em segundo plano. Erramos quando acreditamos que não podemos auxiliar por não termos condições financeiras. Se não temos dinheiro temos nosso trabalho que pode ser oferecido a alguém ou alguma instituição, temos o nosso tempo a ser dedicado, temos a palavra amiga a ser oferecida, o pensamento positivo emitido e a prece consoladora em favor de alguem. Se ainda assim não conseguirmos levar o nosso auxílio aos que se encontram mais distante ou se não nos consideramos preparados, podemos começar dentro dos nossos lares, junto a nossos familiares. O lar, geralmente é uma grande oficina que nos permite exercitar a caridade e todas as suas virtudes, bastando para isso apenas estarmos munidos da vontade pura de ajudar e desejosos de ter a consciência tranquila colaborando para todos nós tenhamos uma vida mais harmoniosa e feliz.

Herbert Faria – Nov/2012

Resgates Coletivos

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O incêndio ocorrido em uma boate na cidade de Santa Maria (RS) no final de janeiro/13 provocou significativa circulação de material pela internet concernente aos chamados 'resgates coletivos', episódios em que muitas pessoas desencarnam ao mesmo tempo. Quando da ocorrência do Tsunami que varreu parte da costa japonesa, publicamos em nosso Editorial o capítulo 18 da obra Ação e Reação, de autoria do Espírito André Luiz (copyright 1956 - FEB). Nesta oportunidade, republicamos o mesmo texto, no intuito de auxiliar as pessoas a encontrar fundamentos, consolo e esperança, quando de catástrofes semelhantes.


Resgates coletivos

       Entendíamo-nos com Silas, acerca de variados problemas, quando expressivo chamamento de Druso nos reuniu ao diretor da casa, em seu gabinete particular de serviço.
       O chefe da Mansão foi breve e claro.
       Apelo urgente da Terra pedia auxílio para as vítimas de um desastre aviatório.
       Sem alongar-se em minúcias, informou que a solicitação se repetiria, dentro de alguns instantes, e conviria esperar a fim de examinarmos o assunto com a eficiência precisa.
       Com efeito, mal terminara o apontamento e sinais algo semelhantes aos do telégrafo de Morse se fizeram notados em curioso aparelho. Druso ligou tomada próxima e vimos um pequeno televisor em ação, sob vigorosa lente, projetando imagens movimentadas em tela próxima, cuidadosamente encaixada na parede, a pequena distancia.
    Qual se acompanhássemos curta noticia em cinema sonoro, contemplamos, surpreendidos, a paisagem terrestre.
   Sob a crista de serra alcantilada e selvagem, destroços de grande aeronave guardavam consigo as vítimas do acidente. Adivinhava-se que o piloto, certamente enganado pelo traiçoeiro oceano de espessa bruma, não pudera evitar o choque com os picos graníticos que se salientavam na montanha, silenciosos e implacáveis, à maneira de medonhos torreões de fortaleza agressiva.
   Em pleno quadro inquietante, um ancião desencarnado, de semblante nobre e digno, formulava requerimento comovedor, rogando à Mansão a remessa de equipe adestrada para a remoção de seis das catorze entidades desencarnadas no doloroso sinistro.
   Enquanto Druso e Silas combinavam medidas para a tarefa assistencial, Hilário e eu olhávamos, espantados, o espetaculo inédito para nós ambos.
   A cena aflitiva parecia desenrolar-se ali mesmo.
   Oito dos desencarnados no acidente jaziam em posição de choque, algemados aos corpos, mutilados ou não; quatro gemiam, jungidos aos próprios restos, e dois deles, não obstante ainda enfaixados às formas rígidas, gritavam desesperados. em crises de inconsciência.
   Contudo, amigos espirituais, abnegados e valorosos, velavam ali, calmos e atentos.
   Figurando-se cascata de luz vertendo do Céu, o auxílio do Alto vinha, solícito, em abençoada torrente de amor.
   O quadro patético era tão real à nossa observação, que podiamos ouvir os gemidos daqueles que despertavam desfalecentes, as preces dos socorristas e as conversações dos enfermeiros que concertavam providências à pressa...
   De alma confrangida, vimos desaparecer a noticia televisada, enquanto Silas cumpria as ordens do cromandante da instituição com admirável eficiência.
    Em poucos instantes, diversos operários da casa puseram-se em marcha, na direção do local minuciosamente descrito.
    Voltando ao gabinete em que lhe aguardávamos o retorno, Silas ainda se entendeu com o orientador, por alguns minutos, com respeito ao serviço em foco.
    Foi então que Hilário e eu indagamos se não nos seria possível a participação na obra assistencial que se processava, no que Druso, paternalmente, não concordou, explicando que o trabalho era de natureza especialíssima, requisitando colaboradores rigorosamente treinados.
    Cientes de que o generoso mentor poderia dispensar-nos mais tempo, aproveitamos o ensejo para versar a questão das provas coletivas.
    Hilário abriu campo livre ao debate, perguntando, respeitoso, por que motivo era rogado o auxílio para a remoção de seis dos desencarnados, quando as vítimas eram catorze.
    Druso, no entanto, replicou em tom sereno e firme:
    — O socorro no avião sinistrado é distribuído indistintamente, contudo, não podemos esquecer que se o desastre é o mesmo para todos os que tombaram, a morte é diferente para cada um. No momento serão retirados da carne tão-somente aqueles cuja vida interior lhes outorga a imediata liberação. Quanto aos outros, cuja situação presente não lhes favorece o afastamento rápido da armadura física, permanecerão ligados, por mais tempo, aos despojos que lhes dizem respeito.
    — Quantos dias? — clamou meu colega, incapaz de conter a emoção de que se via possuido.
       — Depende do grau de animalização dos fluídos que que lhes retém o Espírito à atividade corpórea — respondeu-nos o mentor. — Alguns serão detidos por algumas horas, outros, talvez, por longos dias... Quem sabe? Corpo inerte nem sempre significa libertação da alma. O gênero de vida que alimentamos no estágio físico dita as verdadeiras condições de nossa morte. Quanto mais chafurdamos o ser nas correntes de baixas ilusões, mais tempo gastamos para esgotar as energias vitais que nos aprisionam à matéria pesada e primitiva de que se nos constitui a instrumentação fisiológica, demorando-nos nas criações mentais inferiores a que nos ajustamos, nelas encontrando combustível para dilatados enganos nas sombras do campo carnal, propriamente considerado. E quanto mais nos submetamos às disciplinas do espírito, que nos aconselham equilíbrio e sublimação, mais amplas facilidades conquistaremos para a exoneração da carne em quaisquer emergências de que não possamos fugir por força dos débitos contraídos perante a Lei. Assim é que «morte física» não é o mesmo que «emancipação espiritual».
    — Isso, no entanto — considerei —, não quer dizer que os demais companheiros acidentados estarão sem assistência, embora coagidos a temporária detenção nos próprios restos.
    — De modo algum — ajuntou o amigo generoso —, ninguém vive desamparado. O amor infinito de Deus abrange o Universo. Os irmãos que se demoram enredados em mais baixo teor de experiência física compreenderão, gradativamente, o socorro que se mostram capazes de receber.
    — Todavia — reparou Hilário —, não serão atraidos por criaturas desencarnadas, de inteligência perversa, já que não podem ser resguardados de imediato?
    Druso estampou significativa expressão facial e ponderou:
    — Sim, na hipótese de serem surdos ao bem, é possível se rendam às sugestões do mal, a fim de que, pelos tormentos do mal, se voltem para o bem. No assunto, entretanto, é preciso considerar que a tentação é sempre uma sombra a atormentar-nos a vida, de dentro para fora. A junção de nossas almas com os poderes infernais verifica-se em relação com o inferno que já trazemos dentro de nós.
    A explicação não poderia ser mais clara.
    Talvez por isso, algo desconcertado pelo esclarecimento direto, meu companheiro que, tanto quanto eu, não desejava perder a oportunidade de mais ampla conversação, acentuou, humilde:
   — Nobre instrutor, decerto não temos o direito de questionar qualquer determinação que lhe dimane da autoridade; ainda assim, estimaria conhecer mais profundamente as razões pelas quais nos é defeso o trabalho de colaboração nos serviços pertinentes ao socorro nos resgates de conjunto. Não poderíamos, acaso, cooperar com os obreiros desta casa, nas expedições de auxílio às vítimas de acidentes diversos, de modo a pesquisar as causas que os determinaram? Indiscutivelmente a Mansão, com as responsabilidades de que se encontra investida, desincumbirse-á de trabalhos dessa espécie todos os dias...
   — Quase todos os dias — corrigiu Druso, sem pestanejar.
E, fitando Hilário de estranha maneira, aduziu:
   — É imperioso observar, porém, que vocês coletam material didático para despertamento de nossos irmãos encarnados, quase todos eles em fase importante de luta, no acerto de contas com a Justiça Divina. Analisando os resgates dessa ordem, vocês fatalmente seriam compelidos à autópsia de situações e problemas suscetíveis de plasmar imagens destrutivas no ânimo de muitos daqueles que ambos se propõem auxiliar.
   Esboçando leve sorriso em que deixava transparecer a humildade que lhe adornava o espírito de escol, aditou:
   — Parece-me que não seríamos capazes de comentar um desastre de grandes proporções, no campo dos homens, sem lhes insuflar o vírus do medo, tanta vez portador do desânimo e da morte.
   A palavra do orientador, serena e evangélica, reajustava-nos os impulsos menos edificantes.
Inegavelmente, a Terra jaz repleta de criaturas, tanto quanto nós, algemadas a escabrosos compromissos, carentes de ação contínua para o necessário reequilíbrio. Não seria justo atormentá-las com pensamentos de temor e flagelação, quando através do bem, sentido e praticado, podemos cada hora arredar de nossos horizontes as nuvens de sofrimentos prováveis.
   Assinalando-nos a atitude inequívoca de compreensão e de obediência, como não podia deixar de ser, o chefe da instituição continuou em tom afável, depois de ligeira pausa:
   — Imaginemos que fossem analisar as origens da provação a que se acolheram os acidentados de hoje... Surpreenderiam, decerto, delinqüentes que, em outras épocas, atiraram irmãos indefesos do cimo de torres altíssimas, para que seus corpos se espatifassem no chão; companheiros que, em outro tempo, cometeram hediondos crimes sobre o dorso do mar, pondo a pique existências preciosas, ou suicidas que se despenharam de arrojados edifícios ou de picos agrestes, em supremo atestado de rebeldia, perante a Lei, os quais, por enquanto, somente encontraram recurso em tão angustioso episódio para transformarem a própria situação. Quantos milhares de irmãos encarnados possuimos nós, em cujas contas com os Tribunais Divinos figuram débitos desse jaez? Entretanto, não desconhecemos que nós, consciências endívidadas, podemos melhorar nossos créditos, todos os dias. Quantos romeiros terrenos, em cujos mapas de viagem constam surpresas terríveis, são amparados devidamente para que a morte forçada não lhes assalte o corpo, em razão dos atos louváveis a que se afeiçoam!... Quantas intercessões da prece ardente conquistam moratórias oportunas para pessoas cujo passo já resvala no cairei do sepulcro?... Quantos deveres sacrificiais granjeiam, para a alma que os aceita de boamente, preciosas vantagens na Vida Superior, onde providências se improvisam para que se lhes amenizem os rigores da provação necessária? Bem sabemos que, se uma onda sonora encontra outra, de tal modo que as “cristas” de uma ocorram nos mesmos pontos dos “vales” da outra, esse meio, em consequência aí não vibra, tendo-se como resultado o silêncio. Assim é que, gerando novas causas com o bem, praticado hoje, podemos interferir nas causas do mal, praticado ontem, neutralisando-as e reconquistando, com isso, o nosso equilíbrio. Desse modo, creio mais justo incentivarmos o serviço do bem, através de todos os recursos ao nosso alcance. A caridade e o estudo nobre, a fé e o bom ânimo, o otimismo e o trabalho, a arte e a meditação construtiva constituem temas renovadores, cujo mérito não será lícito esquecer, na reabilitação de nossas idéias e, conseqüentemente, de nossos destinos.
   Entregara-se o chefe a mais longa pausa e, movido pelo propósito de aprender, indaguei de Druso se ele mesmo não teria acompanhado algum processo de resgate coletivo, em que os Espíritos interessados não teriam outro recurso senão a morte violenta, como remate aos dias do corpo denso, ao que o instrutor respondeu, presto:
   — Guardo em minha experiência alguns casos expressivos que seria justo relacionar, no entanto, reportar-nos-emos simplesmente a um deles, pois nossas obrigações são inadiáveis.
   Depois de momentos rápidos em que naturalmente apelava para a memória, comentou, benevolente:
   — Há trinta anos, desfrutei o convívio de dois benfeitores, a cuja abnegação muito devo neste pouso de luz. Ascânio e Lucas, Assistentes respeitados na Esfera Superior, integravam-nos a equipe de mentores valorosos e amigos... Quando os conheci em pessoa, já haviam despendido vários lustros no amparo aos irmãos transviados e sofredores. Cultos e enobrecidos, eram companheiros infatigáveis em nossas melhores realizações. Acontece, porém, que depois de largos decênios de luta, nos prélios da fraternidade santificante, suspirando pelo ingresso nas esferas mais elevadas, para que se lhes expandissem os ideais de santidade e beleza, não demonstravam a necessária condição específica para o vôo anelado. Totalmente absortos no entusiasmo de ensinar o caminho do bem aos semelhantes, não cogitavam de qualquer mergulho no pretérito, por isso que, muitas vezes, quando nos fascinamos pelo esplendor dos cimos, nem sempre nos sobra disposição para qualquer vistoria aos nevoeiros do vale... Dessa forma, passaram a desejar ardentemente a ascensão, sentindo-se algo desencantados pela ausência de apoio das autoridades que lhes não reconheciam o mérito imprescindível. Dilatava-se o impasse, quando um deles solícitou o pronunciamento da Direção Geral a que nos achamos submissos. O requerimento encontrou curso normal até que, em determinada fase, ambos foram chamados a exame devido. A posição imprópria que lhes era característica foi carinhosamente analisadá por técnicos do Plano Superior, que lhes reconduziram a memória a períodos mais recuados no tempo. Diversas fichas de observação foram extraidas do campo mnemônico, à maneira das radioscopias dos atuais serviços médicos no mundo e, através delas, importantes conclusões surgiram à tona... Em verdade, Ascânio e Lucas possuíam créditos extensos, adquiridos em quase cinco séculos sucessivos de aprendizado digno, somando as cinco existências últimas nos círculos da carne e as estações de serviço espiritual, nas vizinhanças da arena física; no entanto, quando a gradativa auscultação lhes alcançou as atividades do século 15, algo surgiu que lhes impôs dolorosa meditação... Arrebatadas ao arquivo da memória e a doer-lhes profundamente no espírito, depois da. operação magnética a que nos referimos, reapareceram nas fichas mencionadas as cenas de ominoso delito por ambos cometido, em 1429, logo após a libertação de Orleães, quando formavam no exército de Joana dArc... Famintos de influência junto aos irmãos de armas, não hesitaram em assassinar dois companheiros, precipitando-os do alto de uma fortaleza no território de Gâtinais, sobre fossos imundos, embriagando-se nas honrarias que lhes valeram, mais tarde, torturantes remorsos além do sepulcro. Chegados a esse ponto da inquietante investigação, pela respeitabilidade de que se revestiam foram inquiridos pelos poderes competentes se desejavam ou não prosseguir na sondagem singular, ao que responderam negativamente, preferindo liqüidar a dívida, antes de novas imersões nos depósitos da subconsciência. Desse modo, em vez de continuarem insistindo na elevação a níveis mais altos, suplicaram, ao revés, o retorno- ao campo dos homens, no qual acabam de pagar o débito a que aludimos.
      — Como? — indagou Hilário, intrigado.
      — Já que podiam escolher o gênero de provação, em vista dos recursos morais amealhados no mundo íntimo — informou o orientador —, optaram por tarefas no campo da aeronáutica, a cuja evolução ofereceram as suas vidas. Há dois meses regressaram às nossas linhas de ação, depois de haverem sofrido a mesma queda mortal que infligiram aos companheiros de luta no século XV.
   — E o nosso caro instrutor visitou-os nos preparativos da reencarnação agora terminada? — inquiri com respeito.
   — Sim, por várias vezes os avistei, antes da partida. Associavam-se a grande comunidade de Espíritos amigos, em departamento específico de reencarnação, no qual centenas de entidades, com dívidas mais ou menos semelhantes às deles, também se preparavam para o retorno à carne, abraçando, assim, trabalho redentor em resgates coletivos.
   — E todos podiam selecionar o gênero de luta em que saldariam as suas contas? — perguntei, ainda, com natural interesse.
   — Nem todos — disse Druso, convicto. — Aqueles que possuíam grandes créditos morais, qual acontecia aos benfeitores a que me reporto, dispunham desse direito. Assim é que a muitos vi, habilitando-se para sofrer a morte violenta, em favor do progresso da aeronáutica e da engenharia, da navegação marítima e dos transportes terrestres, da ciência médica e da indústria em geral, verificando, no entanto, que a maioria, por força dos débitos contraídos e consoante os ditasses da própria consciência, não alcançava semelhante prerrogativa, cabendo-lhe aceitar sem discutir amargas provas, na infãncia, na mocidade ou na velhice, através de acidentes diversos, desde a mutilação primária até a morte, de modo a redimir-se de faltas graves.
    — E os pais? — inquiriu meu colega, alarmado. —Em que situação surpreenderemos os pais dos que devem ser imolados ao progresso ou à justiça, na regeneração de si mesmos? a dor deles não será devidamente considerada pelos poderes que nos controlam a vida?
   — Como não? — respondeu o orientador — as entidades que necessitam de tais lutas expiatórias são encaminhadas aos corações que se acumpliciaram com elas em delitos lamentáveis, no pretérito distante ou recente ou, ainda, aos país que faliram junto dos filhos, em outras épocas, a fim de que aprendam na saudade cruel e na angústia inominável o respeito e o devotamento, a honorabilidade e o carinho que todos devemos na Terra ao instituto da família. A dor coletiva é o remédio que nos corrige as falhas mútuas.
   Estabelecera-se longa pausa.
   A lição como que nos impelia a rápidos mergulhos no mundo de nós mesmos.
   Hilário, contudo, insatisfeito como sempre, perguntou, irrequieto:
   — Instrutor amigo, imaginemos que Ascânio e Lucas, após a vitória de que nos dá notícia, continuem anelando a subida aos planos mais altos... Precisarão, para isso, de nova consulta ao passado?
   — Caso não demonstrem a condição específica indispensável, serão novamente submetidos à justa auscultação para o exame e seleção de novos resgates que se façam precisos.
   — Isso quer dizer que ninguém se eleva ao Céu sem quitação com a Terra?
   O interlocutor sorriu e completou:
   — Será mais lícito afirmar que ninguém se eleva a pleno Céu, sem plena quitação com a Terra, porqüanto a ascensão gradativa pode verificar-se, não obstante invariavelmente condicionada aos nossos merecimentos nas conquistas já feitas. Os princípios de relatividade são perfeitamente cabíveis no assunto. Quanto mais céu interior na alma, através da sublimação da vida, mais ampla incursão da alma nos céus exteriores, até que se realize a suprema comunhão dela com Deus, Nosso Pai. Para isso, como reconhecemos, é indispensável atender à justiça, e a Justiça Divina está inelutavelmente ligada a nós, de vez que nenhuma felicidade ambiente será verdadeira felicidade em nós, sem a implícita aprovação de nossa consciência.
O ensinamento era profundo.
   Cessamos a inquirição e, como serviço urgente requeria a presença de Druso, em outra parte, retiramo-nos em demanda do Templo da Mansão, com o objetivo de orar e pensar.

(Do livro Ação e Reação, pelo Espírito André Luiz - Capítulo 18)

 

Espiritismo no Ambiente Profissional

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Reencarnação é lei universal. Não se trata de simples crença, pois acreditando ou não, o fato é que ela não deixará de existir por algumas pessoas não acreditarem. As vidas sucessivas permitem ao Espírito continuar em uma existência futura o que deixou pendente em uma anterior. É o instrumento perfeito tanto da Justiça quanto da Misericórdia Divinas, pois proporciona a todos os indivíduos ocasiões favoráveis ao aprendizado e ao trabalho, reparando atitudes infelizes e fortalecendo laços de amizade. A reencarnação é, praticamente, o perdão de Deus às nossas faltas, uma vez que o Pai, ao invés de condenar seus filhos por toda a eternidade, lhes proporciona condições de reparação através da prática do bem e do amor aos seus semelhantes. A pluralidade das existências corpóreas jamais deve ser interpretada como castigo ou punição, mas sim como processo educativo, pedagógico. Para alcançar o resultado desejado, que é o progresso espiritual das criaturas, é necessário que os envolvidos estejam próximos e vinculados de alguma maneira.

O lar é a escola por excelência para o Espírito; local onde o grupo familiar se estabelece, formado por entidades que normalmente possuem laços de existências pretéritas e que se encontram novamente no presente, a fim de apararem arestas no relacionamento e se burilarem moralmente. Todavia, torna-se imprescindível expandir nosso olhar para além das paredes do lar e do parentesco consanguíneo. Não obstante existir várias esferas de atuação do Espírito que visam sempre seu aperfeiçoamento, uma delas merece atenção especial: o ambiente de trabalho.

Seria o local de trabalho também um lugar onde Espíritos se encontram com vistas ao progresso? Não temos dúvida que sim. Neste contexto, tal ambiente se destaca por ser um local onde passamos grande parte de nosso tempo e nos relacionamos com várias pessoas, cada uma com características distintas, razão pela qual consideramos este espaço como abençoada escola e campo promissor para o cultivo das sementes evangélicas.

Sabemos que há ambientes de trabalho cujas peculiaridades se estendem quase ao infinito, tendo em vista que são inúmeras variáveis que os definem: pessoas, tarefas, equipamentos, funções, cargos, remuneração, hierarquia, etc. Existem tanto aqueles que são extremamente agradáveis e prazerosos, nos quais nos sentimos bem, quanto àqueles outros nos quais ansiamos por sair o mais rápido possível, por se encontrar ali elementos causadores de perturbações diversas.
Abordaremos o que se refere a estes locais menos fáceis. Se trabalhamos em um ambiente que não é bom ou com pessoas com quais não conseguimos nos dar bem, devemos fazer algumas reflexões: Por que estou trabalhando aqui? O que estou fazendo neste lugar? Existe algo que posso fazer para contribuir ou para aprender com estas pessoas? Há um propósito para eu estar aqui? Como a Doutrina Espírita ensina que nada acontece por acaso e que há sempre um motivo justo para tudo, facilmente chegaremos às respostas para tais questionamentos.

Neste cenário devemos aproveitar as oportunidades para adquirir virtudes. Independente do cargo ou função que desempenhamos, sempre há um vasto campo para nos aventurarmos na instigante atividade de aperfeiçoamento íntimo. Se temos um colega de trabalho, superior hierarquicamente ou não, mas que seja de difícil trato, com o qual não temos afinidade e que nos causa profunda antipatia, surge então o ensejo de orarmos por ele, assim como de exercitarmos a paciência, a tolerância e o respeito. São circunstâncias muito favoráveis para o desenvolvimento da fraternidade e do amor ao próximo, no sentido de fazermos ao outro o que gostaríamos que ele nos fizesse. Quanto mais difícil o colega, maior será o nosso mérito em fazer-lhe o bem.
Orientar e esclarecer, ouvir e conversar, oferecer-nos para auxiliar, nos colocar à disposição para o que for preciso, tratar a todos com educação, simpatia e gentileza. Além dessas, há outras pequenas ações capazes de fortalecer o relacionamento entre a equipe e melhorar o ambiente de trabalho. Imagine dois tipos de lugares: um onde há colegas que não se dão bem, pessoas mal-humoradas que não gostam de seu trabalho e totalmente insatisfeitas com a própria vida. No outro há pessoas que, mesmo não tendo fortes laços afetivos, se respeitam e auxiliam-se mutuamente nas tarefas; aprenderam a gostar e a valorizar o que fazem, entendendo a sua importância e de suas atividades para o desenvolvimento da empresa. Em qual deles nos sentiríamos melhor?
Vale ressaltar que a maioria das pessoas não trabalha com o que realmente gosta. Entretanto, é necessário aprender a gostar do que fazemos, pois precisamos do trabalho material para garantir nossa subsistência e de nossos familiares. Portanto, se não temos condições de trabalhar com aquilo que amamos, é preciso amar o que fazemos.

Perceba que, assim como a reencarnação nos situa num lar ou numa família com pessoas compromissadas conosco por diversos motivos, também em nosso ambiente de trabalho estamos cercados por indivíduos com os quais nos ligamos direta ou indiretamente. Da mesma forma que ocorre na família, é possível que existam em nossa esfera de atuação profissional pessoas que, em algum aspecto, dependem de nós. Temos de apurar as percepções a fim de identificar o que podemos fazer para auxiliá-las, bem como o que é possível aprender com elas.

Conseguir aumentos salariais e promoções, progredindo na carreira que escolheu, é lícito, é um direito de todos. Todavia, o espírita deve estar atento para não prejudicar ninguém nesta trajetória. Ele deve se esforçar para vencer no mundo, porém, consoante ao ensinamento do Cristo, seu foco maior deverá ser vencer o mundo, sabendo que os recursos materiais são necessários para se viver no plano físico, mas não passam de meios para se alcançar o objetivo final, muito mais importante: a vitória sobre nós mesmos, sobre nossas imperfeições, localizadas no mundo interior de cada um. Com atitudes baseadas no Evangelho e na moral espírita, seremos capazes de realizar grandes transformações e inspirar outras pessoas a fazerem o mesmo.
Face ao exposto, independente da situação é preciso perceber que no fim sempre saímos ganhando. Mesmo que este ganho não se traduza em recursos pecuniários ou ascensão na carreira profissional, como Espíritos imortais adquirimos maior experiência de vida e desenvolvemos valores e virtudes que se tornarão conquistas inalienáveis capazes de nos impulsionar na caminhada evolutiva.

Valdir Pedrosa – Janeiro/2013

O Espiritismo e as terapias alternativas

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O que é um centro espírita? O que se faz dentro dele? Estas perguntas, que podem parecer sem importância, têm recebido respostas distorcidas ultimamente. Para os bem informados não há a menor dúvida de que o centro espírita é um local onde se reúnem pessoas para o estudo e a prática da Doutrina Espírita, em conformidade com a codificação de Allan Kardec e os ensinamentos dos Espíritos superiores. Até aí, tudo bem.

O problema é que, mesmo dentro de instituições espíritas, existem pessoas ocupando cargos de direção sem a adequada preparação doutrinária e vivência evangélica. Não podemos negar que a maioria está imbuída de boa vontade, mas também é notória a presença de outros que pretendem utilizar a casa espírita para propósitos particulares. São indivíduos vaidosos, com ego de grandes proporções, cultivadores da própria personalidade, que se colocam à frente da casa e da causa espírita, almejando projeção pessoal. Dando vazão ao egoísmo, ao orgulho e à vaidade, querem aparecer, ser o centro das atenções e, para isso, frequentemente utilizam-se dos poderes de que se acham investidos para imporem seus pontos de vista e manias, fazendo um Espiritismo à sua moda e não como nos foi legado por Kardec.

            Seguindo por este caminho, há companheiros, alguns mal intencionados e outros desconhecedores da Doutrina Espírita, que implantam nos centros várias práticas estranhas ou terapias alternativas com o objetivo de aliviar ou até mesmo curar seus frequentadores dos mais diversos males, seja de ordem física, psíquica ou espiritual. Aquilo que, em um primeiro momento, parece ter as melhores intenções, pode gerar graves consequências...

O Espiritismo é uma doutrina cujos ensinamentos, baseados na moral de Jesus, nos auxiliam no processo de cura do Espírito, onde se localiza a gênese de todos os nossos males. A busca pelo conhecimento e a vivência do bem, iluminam a alma, impulsionando-a a patamares evolutivos mais elevados. Embora não seja o objetivo principal do Espiritismo, muitas pessoas afirmam ter encontrado a cura de suas enfermidades físicas nos núcleos espiritistas. Porém, é preciso salientar que a finalidade maior da Doutrina Espírita é a cura do Espírito, não do corpo físico.

A cura física é conseqüência da cura espiritual e nem sempre a solução dos males físicos é alcançada nesta encarnação. O corpo físico é transitório e, através do fenômeno da morte, volta ao pó. Já a alma, ou o Espírito, é imortal e retorna ao mundo material quantas vezes forem necessárias para realizar sua depuração, conforme reza a lei da reencarnação e da evolução, progredindo sempre.

            Para atingirmos esse fim, o Espiritismo nos oferece o conhecimento e o estudo de seus princípios fundamentais; o cultivo da fé raciocinada, da prece, do pensamento elevado, da conversa e da leitura edificantes; o trabalho, que é toda ocupação útil, objetivando o crescimento moral e espiritual do próximo e de nós mesmos; a terapia auxiliar dos passes e da água fluidificada, bem como o intercâmbio mediúnico, onde aprendemos com os Espíritos mais elevados e auxiliamos aqueles em situações menos fáceis no Além.

Com todos estes recursos e resgatando a proposta de educação espiritual do Cristo, a Doutrina Espírita nos convida à prática do amor para com todos, como único caminho seguro a ser trilhado em nossa jornada evolutiva. O conhecimento de nós mesmos é o primeiro passo neste processo contínuo de aperfeiçoamento que chamamos de reforma íntima ou renovação moral.

À medida que nos compenetramos destas verdades e assumimos nossas responsabilidades como Espíritos imortais que somos, vamos nos curando de mazelas, vícios e imperfeições que se acumulam em nosso psiquismo há muitas reencarnações. Mas este é um processo que não é rápido, desenvolve-se a médio e longo prazo, pois contra a gota de boa vontade do presente, temos um oceano de cristalizações de nosso passado. É necessária muita perseverança, paciência e oração para resgatar o homem velho e transformá-lo no homem renovado pelo Evangelho. Eis aí o trabalho de cura do Espírito!

            Contudo, algumas instituições que se autodenominam “espíritas” têm adotado práticas sem nenhum embasamento doutrinário. Trata-se de terapias alternativas, todas dignas de nosso maior respeito e não obstante algumas apresentarem bons resultados, não são espíritas. Não devemos misturar as coisas e comprometer a pureza doutrinária do Espiritismo.

            Por que isso ocorre? Entendemos que os motivos principais seriam a ignorância, no sentido da falta de conhecimento dos princípios que regem a Doutrina; imediatismo na busca da cura do corpo físico; personalismo e vaidade, ao querer impor à casa espírita práticas estranhas e opiniões pessoais; e não podemos nos esquecer das ações sutis de entidades trevosas que se aproveitam da fragilidade ou da má fé de confrades invigilantes que lhes servem como verdadeiras marionetes.

            É bom ficarmos atentos, pois reiki, cromoterapia, apometria, astrologia, tarô, mandalas, pirâmides, velas, cristais, florais, terapias de vidas passadas e tantos outros modismos que têm aparecido ultimamente, não são práticas espíritas e, portanto, não devem ser adotadas no âmbito de casas que se dizem espiritistas. Tais núcleos podem se denominar espiritualistas, mas não espíritas.

Um centro espírita bem orientado é aquele que segue as diretrizes propostas por Allan Kardec e pelos Espíritos superiores, visando a renovação moral da humanidade. Paramentos, rituais e terapias alternativas têm o seu valor em ambientes que lhes são próprios, mas não dentro de um centro espírita. É uma questão de bom senso: cada um no lugar que lhe compete. As pessoas que desejam implantar tais inovações no movimento espírita, deveriam se preocupar primeiro com sua própria renovação moral e espiritual, como preceitua a Doutrina.

            Deixemos as casas espíritas cumprirem seus objetivos no que tange ao estudo do Espiritismo e do Evangelho de Jesus, além do intercâmbio com os amigos espirituais. Tais núcleos são centros de convivência e vivência do bem, onde aprendemos a importância de praticar a caridade e a fraternidade de forma incondicional. É onde encontramos os recursos que nos permitirão operar a reforma interior.

            Casa espírita, enfim, é oficina de trabalho, escola e hospital de almas, não é lugar para enxertos e modismos.

 

Valdir Pedrosa – Junho/2012

Espiritismo BH: com você neste Natal!

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Um giro pelo Espiritismo na Europa

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Uma celebração familiar nos conduziu à Europa, no final de outubro de 2012. Como este tipo de deslocamento exige providências especiais, julgamos que valeria a pena esforço adicional para entrarmos em contato com alguns grupos espíritas europeus. Conversando aqui e ali com internautas do Espiritismo BH residentes no exterior, bem como com amigos que já haviam passado pela experiência, conseguimos elaborar um ótimo roteiro. Planejamos então passar pela França, Holanda e Alemanha, onde poderíamos entrevistar pessoas ligadas ao movimento espírita europeu.

      E assim fizemos, viajando por algumas semanas. Por coincidência, o período coincidiu com a realização de Congressos Médico-Espíritas nos países visitados, promovidos pela Associação Médico-Espírita Internacional, o que nos ajudou a ampliar a visão e o testemunho do trabalho realizado em prol do Espiritismo na Europa.

      Iniciamos com uma passagem por Paris, onde conhecemos Pierre-Etienne Jay, presidente do Centre Le Chemin, um dos administradores do Conseil Spirite Français e Secretário do Mouvement Spirite Francophone. Casado com brasileira, morou por um período em Brasília e traduziu para o francês a obra do Espírito André Luiz.

      Aproveitamos a estada na Cidade Luz e visitamos o túmulo de Allan Kardec, no Cemitério Père Lachaise, turismo obrigatório dos espíritas. Em nosso caso, fizemos o registro de pequena homenagem e publicamos na área de Vídeos Extras do Espiritismo BH. Impressionou-nos ser o túmulo mais florido e um dos mais visitados: durante os sessenta minutos que lá permanecemos, nos deparamos com várias turmas de visitantes conduzidos por guias, que sempre estacionam defronte o dólmen que abriga o busto do Codificador para explicar quem foi Kardec.

      Em seguida, partimos para Rijswijk, pequeno município holandês com nome difícil de escrever e de pronunciar (algo como ráisvaik). Fomos acolhidos por Rosana Cruz, coordenadora do Grupo Bezerra de Menezes, que providenciou um encontro com colaboradores de outro centro espírita, o Grupo Emannuel, ambos da cidade próxima  Den Haag (Haia). Realizamos assim a segunda entrevista, reunindo cinco representantes femininas desses dois grupos, de uma só vez.

      Na capital Amsterdam, gravamos nossa terceira entrevista, desta vez com Maria Morais, presidente do Conselho Espírita Holandês, que gentilmente nos atendeu, a despeito de estar às voltas com mil e uma providências para coordenar mais uma versão do Congresso Médico-Espírita na capital.

      Partimos em seguida para a Alemanha e fomos recebidos por Garcita Müller, admiradora incondicional do EBH, que nos ajudou sobremaneira com os contatos para entrevistas nesse país. Aportamos em Bonn, justamente no último dia do Congresso Médico-Espírita Alemão, encontro liderado pela Dra. Marlene Nobre, presidente da AME-Internacional, com presença de médicos brasileiros e alemães e prestigiado por grande público. Com ela realizamos a quarta entrevista. Ainda em Bonn, batemos um papo com Fernanda Marinho-Göbel, presidente do Grupo Alkastar, que coordena extensa atividade na seara mediúnica, e ainda com Zelina Poinsignon, presidente de um centro espírita na capital de Luxemburgo.

      Deslocamo-nos em seguida para Düsseldorf, onde pudemos gravar a sétima entrevista com a coordenadora do Grupo Freundeskreis Allan Kardec, Tereza Matos, centro do qual participa a nossa anfitriã Garcita.

      Para finalizar a jornada espírita européia, encerramos com a última entrevista em Stuttgart, sendo a nossa convidada Maria Gekeler, presidente do Grupo SEELE e da União Espírita Alemã (Deutsche Spiritistische Vereinigung).

      Relatada a trajetória, desejamos expor as impressões que tivemos nesta experiência. Devemos confessar que ficamos admirados com muitas coisas que presenciamos, por termos sido portadores de expectativas equivocadas e de certos paradigmas. A começar pelo conceito do "centro espírita" ou "grupo espírita", a que estamos acostumados. Em geral, em nosso país as casas espíritas possuem sede própria, em edificações com espaços para múltiplas atividades, como auditórios, salas para passes e evangelização, ambientes para  assistência social, livraria e biblioteca e salas reservadas para as atividades mediúnicas. É fato que, na Europa, encontramos, em alguns casos, grupos com estruturas semelhantes. Porém, a maioria deles se localiza em pequenas salas alugadas (e todos reclamam dos altos valores do aluguéis), às vezes compartilhadas com atividades de terceiros em horários diferenciados. Tal situação limita bastante as possibilidades para o desenvolvimento dos trabalhos, especialmente no que concerne às reuniões mediúnicas e à aplicação de passes. A frequência de público geralmente é pequena, entre dez e trinta pessoas, em dias regulares, sendo a maioria brasileiros.

      O Espiritismo está sendo restituído na Europa. Sim, à época de Kardec a Doutrina Espírita se expandiu da França para vários países, mas as grandes guerras se encarregaram de dizimá-lo. As obras espíritas publicadas foram destruídas ou perdidas e, em muitos casos, reencontradas pelo que denominaríamos sorte. Sabemos, no entanto, que os Espíritos sempre estiveram à frente das iniciativas do Bem e, aos poucos, tudo está se recompondo. É indiscutível que as mulheres reconstruíram países como a Alemanha após a Segunda Guerra, já que a maioria dos homens havia perecido. Pois bem, essa força espiritual feminina está sendo reconvocada para o reerguimento do Espiritismo nos países europeus. São elas donas-de-casa, comerciantes, profissionais e mães: estão na boa luta, promovendo encontros para estudos, seminários e tratamentos fluidoterápicos. Realizam atendimento telefônico em um "SOS Preces" de modo improvisado, às vezes de dentro de seus lares. Promovem a visita de expositores brasileiros e europeus para palestras, com o fito de expandir a divulgação espírita. Nós as apelidamos carinhosamente de mulheres-moisés, pois estão conduzindo, cada uma em sua região geográfica, o seu "povo" à "terra prometida" do aprendizado pelo conhecimento da Doutrina, disciplina e práticas cristãs.

      As iniciativas voluntárias para assistência social na Europa são de certa forma dificultadas pelas leis de cada país e por práticas culturais. Os países ricos também possuem a sua quota de mendigos (geralmente imigrantes), órfãos, idosos em asilos, crianças abandonadas. Poder-se-ia pensar que há generoso campo para as ações sociais, onde os integrantes dos grupos espíritas poderiam atuar. Mas não é tão fácil como no Brasil. Há, dentre outras coisas, desconfiança quanto às intenções dos voluntários e exigências legais para comprovação de conhecimento da língua nativa. E com isso as ações voluntárias são muitas vezes coibidas pelas instituições locais.

      Para o desenvolvimento do Espiritismo no exterior é fundamental o domínio da língua nativa. Como são brasileiros que coordenam tudo, não há como atrair o interesse dos nativos sem uma boa comunicação com eles. Por essa razão, voluntários traduziram no passado, total ou parcialmente, as obras da Codificação para o francês, o inglês, o alemão e o holandês. Na Holanda, por exemplo, o contemporâneo de Kardec Jean Guillaume Plate, conhecido como J.G. Plate, traduziu, no século XIX, todos os livros da Codificação para o holandês. Como atualmente estão desatualizados com as modernizações do idioma, o Conselho Espírita Holandês está providenciando a revisão dos textos. Por seu turno, na França, o trabalho já se desenvolve com a tradução das obras subsidiárias dos Espíritos André Luiz e Irmão X. Com relação às palestras rotineiras, elas são conduzidas em português ou na língua local, a depender da situação, em alguns casos com auxílio de intérpretes. Como era de se esperar, o diálogo com espíritos nas comunicações psicofônicas também exige o conhecimento da língua do país. Por exemplo, ouvimos dizer que na Alemanha há muitos casos de manifestações de espíritos que outrora foram nazistas e judeus, comunicando-se em alemão. Isso exige o conhecimento da língua para se estabelecer os diálogos.

      Um ponto que nos chamou a atenção pelas dificuldades encontradas é a reunião mediúnica. A escassez de locais apropriados e exclusivos para tratamento e educação de pessoas com experiência prática para atuar como dirigente, dialogador ou médium psicofônico/psicógrafo causa natural insegurança a certos grupos brasileiros que atuam no exterior. Nem todos os grupos espíritas estão plenos de recursos estruturais ou humanos para trabalharem com mediunidade, com um mínimo de riscos de descontinuidade, desagregação do grupo ou posturas inadequadas. E ainda mais: há situações relatadas em que visitantes brasileiros deram certas orientações aos grupos locais que consideramos despropositadas. Não obstante, notamos que todos os grupos espíritas visitados se preocupam em realizar estudos, tendo como base as apostilas da FEB, demonstrando preocupação e interesse com a unificação das práticas no Movimento Espírita.

      A obsessão é, como seria de se esperar, um problema indistinto ao país e se verifica em toda parte. Contudo, o fenômeno não é conhecido pela população em geral. O obsedado só encontra mesmo solução com tratamentos médicos à base de medicamentos medicamentos ou por outros métodos alheios à Doutrina Espírita. Aqui no Brasil, quando pessoas de diferentes religiosidades se veem às voltas com processos obsessivos e apelam sem sucesso para os recursos de suas igrejas, muitas vezes esbarram nos centros espíritas em busca de socorro. No exterior, entretanto, basicamente não há o que fazer, porque o Espiritismo ainda é bastante desconhecido, assim como a terapia desobssessiva. Daí se conclui sobre a grande relevância de se implementar reuniões seguras para o tratamento espiritual, meta que é ainda um sonho para muitas comunidades espíritas européias.

      O Congresso Médico-Espírita é um evento assaz interessante. Podemos afirmar que vai ao encontro da curiosidade do europeu para com os fenômenos espirituais. As chamadas experiências de quase-morte, assim como as curas por métodos fluidoterápicos, são um prato cheio para muitas pessoas, atraindo a presença de profissionais locais e de países vizinhos, assim como os do Brasil, como psiquiatras, psicólogos e filósofos. Na Holanda, por exemplo, houve neste ano a participação de estudantes de medicina locais.

      Entretanto, exageram os que afirmam que o europeu só se interessa pelos aspectos fenomênicos da Doutrina Espírita, pouco se importando com a parte moral. De fato, o rigor da Religião nos séculos passados provocou o descrédito de boa parte da população pelos ensinos cristãos. Não obstante, o europeu também procura a casa espírita para ouvir o ensino evangélico, contanto que estejam seguros dos propósitos da instituição que os irá receber. Por isso, reforçamos a importância do domínio da língua local, para que o estrangeiro possa receber do brasileiro explicações coerentes e saber o que poderá obter na instituição espírita.

      Com relação aos expositores brasileiros, dos quais temos eventuais notícias que estão a visitar os países europeus ou norte-americanos, gostaríamos de fazer algumas observações. Vamos primeiramente destacar o caso dos expositores renomados, como  Divaldo Franco. Para algumas pessoas, pensar que Divaldo está fazendo palestras em Nova Iorque, Luxemburgo, Lisboa ou Stuttgart, pode parecer luxo ou exibições desnecessárias. Entretanto, o que testemunhamos, na palavra dos nossos contatos europeus, é o caráter missionário deste espírito desbravador, no tocante à divulgação da Doutrina Espírita, à orientação para a formação e atividades dos grupos espíritas e ao incentivo à participação da população local. Outros oradores espíritas renomados também exerceram e exercem este papel ainda hoje. Por outro lado há situações em reverso: expositores brasileiros mais preocupados em dar projeção aos  seus nomes, em vender os seus livros, do que em simplesmente colaborar com os irmãos que atuam exterior. Convenhamos: fazer uma palestra no Brasil ou em outro país pode ser tanto bom quanto ruim: depende da conduta do orador e do conteúdo que transmite. O fato de se ter feito uma palestra espírita em país distante não confere a ninguém posição superior àquele que não teve ainda a chance de fazê-lo. Posso afirmá-lo com convicção, porque eu mesmo realizei quatro só nesta viagem e não me sinto especial por essa razão. Assim, há cooperadores da tribuna espírita valorosos, assim como há também os casos em que equívocos são cometidos. Isso dizemos com base no que ouvimos pelo testemunho de quem nos recebeu.

      Para finalizar, quero dizer o quanto sou grato a Deus por ter me permitido a oportunidade de passar por essas maravilhosas experiências. Como se diz em minha terra, fui "tratado a pão-de-ló", com muito carinho e consideração por pessoas que ainda não me conheciam. Pude observar o grande valor do trabalho persistente e árduo de todos os brasileiros que desbravam os caminhos do Espiritismo nos países visitados. Por já ter estado pessoalmente com Jussara Korngold, presidente do Spiritist Group of New York, e entrevistado em Belo Horizonte a companheira Sandra Mussi, ex-presidente do Conselho Espírita Canadense, estou convicto que o mesmo acontece nas terras americanas e canadenses.

      O que podemos fazer é pedir aos Planos Superiores, sob a égide de Nosso Senhor Jesus, iluminação e força para esses irmãos nas terras longínquas e nos colocarmos à disposição para auxiliá-los.

      O que devemos fazer, sem dúvida, é valorizar cada vez mais a bênção de residirmos em um país onde há fartura de recursos espíritas à nossa disposição (instituições, livros, expositores, campo de trabalho e muito mais), demonstrando, com o suor do nosso próprio trabalho de elevação moral, gratidão a Deus por nos permitir acesso a tantos tesouros espirituais.

Marcelo de Oliveira Orsini